21 de out de 2011

- Superação.


Eu estava ensopada por causa da chuva que caia com pingos grossos e espessos. Resolvi correr já que estava sem o meu guarda-chuva e teria que ir para casa de ônibus, se ele parasse para mim é claro, normalmente eles nunca paravam quando fazia o sinal. Entrei no shopping que havia ali perto, várias pessoas me olhavam, alguns rostos eram conhecidos, mas não importantes. Uma mulher me ajudou. Lembrei que me atrasaria para a prova que faria em um colégio próximo onde eu estava.
-Merda - disse em um tom alto, a moça me olhou curiosa, mas eu apenas a ignorei.
Um carro parou em frente à entrada do shopping, era o carro dele, eu o reconheci, já que eu conhecia suficiente aquele carro, ele dizia que era o nosso carro... Muitas lembranças se passaram ali, todos os dias em que discutimos por querermos por musicas diferentes, ou quando eu me esquecia de por o cinto de segurança... Eu apenas sorri com minhas lembranças, nossa... Muitas lembranças boas e uma incrivelmente horrível. Lembro-me como se fosse hoje o dia que sofremos um acidente... A culpa foi dele. O dia estava tão chuvoso quanto hoje, eu estava muito mal naquele dia, nós dois discutíamos constantemente, isso vinha me fazendo mal, eu não sabia o que deveria fazer em relação a nós dois.
-Dá para diminuir a velocidade Felipe? – falei em um tom rude.
-Vai fazer o que? Se jogar do carro? - seu tom era de ironia e sarcasmo misturados.
-Não seria capaz disso... - o ponteiro de velocidade continuava no mesmo lugar 130 km/h - Agora reduza a velocidade.
-Estamos atrasados... Não posso reduzir.
-Prefere o que? Que moramos em um acidente?
-Não seja dramática Sophia.
-Tá bem Felipe... Você que sabe. - eu estava inquieta, algo me dizia que aquilo não acabaria bem.
-Vamos minha linda me dê um sorriso. - disse ele apertando uma de minhas bochechas e se distraindo.
-Preste atenção na estrada - dei um tapa leve em sua mão, ele pareceu chateado, mas eu estava certa naquele momento.
-Você está insuportável ultimamente sabia? – ele aumentou o tom.
-Tanto faz.
-Por favor Sophia... Não me leve a mal. - ele me olhou fixamente nos olhos.
As curvas aumentavam e a pista estava molhada demais. Um caminhão veio em nossa direção, Felipe desviou carro jogando-o contra a proteção que havia ali, foi involuntário eu acho, o carro saiu da estrada e já que estávamos a uma certa altura ele voou e capotou continuamente até bater e parar em uma árvore que estava lá embaixo, nós dois estávamos com cinto, se não estivéssemos teríamos morrido na hora...
 Ao abrir os olhos vi-me em um lugar claro, eu estava deitada em uma cama e imobilizada. Não sabia o que estava acontecendo, uma enfermeira veio em minha direção.
-Sophia? - eu assenti - Fique tranquila você está bem... Tiveram sorte por sobreviver a um acidente como esse.
As imagens do acidente vieram em minha mente e me assustaram, lembro-me que estava presa as ferragens e não conseguia me mover. Felipe estava bem, apenas tinha sofrido um corte em sua testa, pelo menos foi o que vi dele antes de desmaiar.
-O que está acontecendo? - disse absolutamente desesperada - Não consigo mover... - eu tentava, mas não conseguia - O que aconteceu com as minhas pernas? - gritei.
-Sinto muito Sophia. Você sofreu um acidente sério, suas pernas ficaram presas e com isso prendeu sua circulação, quebrou alguns ossos dela e não tivemos como solucionas - seu tom era de remorso e carinho.
-Meu Deus... - fiquei desesperada, sem saber o que pensar, nesse momento só pensava em como estaria Felipe, e sim eu estava pondo a culpa nele, lágrimas queimavam minha face e saiam incessantemente – Cadê Felipe?
-Ele está bem, não se preocupe. Ele vai ter alta em poucos dias... – ela se aproximou de mim e me deu um abraço acolhedor, o que me reconfortou um pouco e me fez chorar ainda a mais.
-Obriga... Entanto a mim?
-Temos que fazer muitos exames e... – ela pegou uma ficha e a examinou com cautela – Você tem uma consulta para daqui à uma hora.
Os dias se passaram sem que eu amo menos notasse, minha família foi até lá, foram inúmeras visitas com muito choro, todos sentiam nojo de Felipe nesse momento, mas isso não me importava mais, eu sei que terminaríamos em seguida daquilo tudo, sei que o amo, mas foi culpa dele, sempre é.
Eu estava dormindo quando alguém batera na porta, algo me dizia que não era boa coisa.
-Entre...
Felipe me olhou e seus olhos ficaram cheios de lágrimas instantaneamente, seu rosto ficou vermelho e em seus olhos havia remorso.
-Me desculpe Sophia... Por Deus eu não queria fazer isso com você... Me perdoe... Eu jamais vou me perdoar por ter feito isso a você, mas eu não sei o que fazer, eu estou desesperado... Sempre vou me culpar por isso...Sempre... – ele chegou ao meu lado e me olhava com olhos tristonhos.
-É bom você se culpar – minha voz saiu arranhando e meu tom era mais frio quanto um iceberg – Agora... Já que já pediu desculpas vá embora. – minha tonalidade ainda era calma.
-Eu não posso ir. Não posso te deixar agora...
-Felipe eu não perguntei o que você quer ou pode fazer... Eu estou mandando você sair do meu quarto e da minha vida! – minha voz subiu um pouco.
-Mas eu não... – ele tentou falar, mas o interrompi.
-Vai embora agora! – gritei.
Ele se virou e saiu, antes de fechar a porta ele me olhou como um gesto de suplica, mas eu apenas virei o rosto para outra direção. Comecei a chorar e tudo jorrava como uma grande cachoeira com aguas raivosas. Toda minha magoa estava ali naquele momento, transbordando por meus olhos.

Ele saiu do carro e me viu, havia uma mulher com ele, não sabia quem era e isso não faria diferença, ele a deixou perto do veiculo e correu pela chuva em minha direção.
-Sophia – seus olhos brigaram ao me ver – Pode falar comigo um minuto?
-Sim eu posso – falei gentilmente – Vai deixá-la esperando?
A mulher mantinha um rosto sério e incrédulo.
-Você é mais importante no momento.
A chuva havia diminuído, ele me ajudou a ir até a praça de alimentação do shopping e nos sentamos no coffe.
-Pensei que você não falaria comigo.
-Eu não tenho mais magoa de você Felipe, aprendi que tudo que acontece tem um motivo. Sei que tudo que passamos foi fundamental para minha vida, não te culpo mais por nada, nem a minha família te culpa, nós gostamos muito de você, acredite. E eu te desejo que seja feliz com quem tiver que ser. Sabe? Eu aprendi a perdoar e isso me fez bem, hoje eu não me importo de dizer que te amo, mas não é como antes é diferente e espero que entenda.
Felipe começou a chorar na minha frente como uma criança quando quer algo e não ganha, mas seus olhos brilhavam de felicidade.
-Falei algo de errado? – disse.
-Pelo contrario Sophia, você não sabe o quanto pedi a Deus por esse dia. Eu me culpava por tudo que fiz com você e hoje tirou um peso enorme de minhas costas. Eu também te amo e espero que aceite o que vou te pedir.
-Primeiro pode agradecer a Ele sim, foi por causa disso que te perdoei. E segundo, fale...
-Quer ser minha madrinha de casamento? – ele franziu o cenho.
-Mas é claro que sim – falei empolgada e sorrindo.
-Fico feliz por aceitar e não se preocupe, aquela não é minha noiva, é minha chefe.
-Mas é bem pior.
-Não importa Sophia... Acredite, gosto mais de você do que dela.

Aquele dia marcou a minha vida, eu já havia o perdoado, mas vi em seus olhos que foi bom eu ter dito isso a ele... Espero que Deus onde estiver veja o quanto Felipe merece ser feliz.





Por: Mariane Alfradique  ( desculpe não achei fotos boas hoje )

1 comentários:

Rui Carlos disse...

Seguindo teu blog...
Segue di volta?
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Obrigada pelo comentário :))