6 de nov de 2011

- Volta por cima.




A vida é simples, fácil... A morte é rápida e sem o menor sentido... 

-Desculpe - disse ele com seu olhar sereno.
-Pelo que? – eu estava confusa.
-Por eu não poder mudar tudo isso... – seus olhos cor de mel estavam vermelhos e olheiras eram facilmente notadas.
-Não se preocupe amor... Tudo vai ficar bem – minha voz estava falhando e eu não consiga mais apoia-lo a superar a minha possível perda, estendi o braço e encostei em uma de suas bochechas, uma lágrima dele molhou o meu dedo e eu a sequei – Não chore minha vida... Vai passar... Acredite...
-Mas amor – seu tom era desesperador – O médico disse que você vai precisar de uma doação... Você tem doença pulmonar crônica por fibrose...
-Eu sei amor... Mas você vai ver eu vou melhorar.
-Você melhor do que ninguém sabe que não tem cura... – ele sentou em minha cama de hospital e ali me abraçou com todo cuidado, choramos juntos até não sair mais nenhuma lágrima miserável se quer – Eu não posso te perder Fátima... Eu te amo e não vou conseguir viver em um mundo no qual você não exista... – sua voz falhava, mas a dele era por desespero, a minha era por falta de ar e dor, eu já sei que a morte é inevitável e quero que ele siga em frente, sei que fomos feitos um para o outro e um dia isso teria que acontecer – Desculpe...
-Pelo que?
-Por eu não poder te doar meus pulmões...
-Amor... Não importa... Eu só quero que... – tossi por um instante – Que você siga em frente, eu te amo e se acontecer o pior... Eu vou querer que você supere e encontre alguém melhor que eu – cada palavra que saia de minha boca doía, eu não o imaginava com outra pessoa sem ser eu, sempre fomos apenas um do outro, em relação a tudo.
Ele me beijou como se fosse a primeira vez, olhou fixo em meus olhos e disse:
-Eu não vou viver sem você – seu tom era sério – E não adianta eu não seguir em frente se não for ao seu lado...
Ele me beijou mais uma vez e se retirou, Ricardo tinha de trabalhar e eu o entendia, no dia seguinte soube que encontraram finalmente um doador compatível. Estava louca para contar a Ricardo a noticia, eu estava feliz, mas ele não apareceu, as enfermeiras me contaram que ele ligou pedindo desculpas, mas a minha cirurgia seria nessa noite e não podia esperar para contar a ele, logo depois ele ligou:
-Oi amor – ele disse.
-Oi minha vida.
-Desculpe não poder aparecer tá?!
-Tudo bem... você soube?
-Sim amor, eu liguei para ai e me informaram, estou feliz que finalmente vai ser minha para sempre – sua voz era doce e gentil – Bom, agora eu tenho que ir.
-Eu também tenho amor, vou me preparar para a cirurgia.
-Até logo vida.
-Até logo amor.

A cirurgia ocorreu perfeitamente, eu acordei doze horas depois, disposta e feliz, louca para ver Ricardo e saber que não o deixaria tão cedo. Uma enfermeira entrou em meu quarto e deixou um envelope grande e de cor azul claro e saiu sem dizer uma palavra...
Ao abri-lo encontrei uma caixinha preta com um anel lindo dentro, havia também um cartão, eu reconheceria aquela caligrafia em qualquer lugar, era de Ricardo, fiquei animada para lê-lo.



Agora tudo fazia sentido... Eu chorei incontrolavelmente naquele dia, não sabia ao certo o que fazer sem o cara que eu amo, minha mãe chegou lá e me viu chorando, eu a contei e choramos juntas, do mesmo jeito que havia feito com ele... Minha vida mudou completamente e ganhei um motivo para seguir em frente e não desisti... Fui e sou feliz, por causa do meu guia e amor Ricardo.


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