31 de out de 2011

- Dificuldade.






Eu estava perdida em meus pensamentos, talvez nem nele eu estivesse de tão perdida que estava, meus olhos estavam úmidos, mas se secava lentamente de acordo com a brisa que batia em meu rosto. Sentada naquela pedra mais uma vez... A nossa pedra, aquela onde demos o nosso primeiro beijo, onde ele me pediu para ser sua para sempre... Era ali onde eu estava fisicamente. A minha volta estava um imenso campo, onde havíamos dito que nos veríamos sempre que sentíssemos saudades de não pudéssemos nos ver, havia uma grande arvore no meio, lembro-me da época que ela obtinha folhas verdes e vivas, talvez aqui fosse a primavera no período, hoje não há folhas e seus galhos secos e sem vida me lembrava filmes de terror... Era ali que eu estava mentalmente... O vi ao longe e fui até sua direção não saberia um dia se aquilo poderia realmente acontecer, mas em mim aconteceu... Seus olhos eram doces, mas haviam olheiras fortes neles, nem isso tirava sua beleza.
-Senti sua falta... – disse com meus olhos cheios de lágrimas.
Ele não falou meia palavra apenas me abraçou e ali ficamos... Em minha imaginação.
-Luciana... – Rayane me olhava assustada.
-Oi – falei sacudindo minha cabeça e caindo em mim que tudo aquilo não aconteceria.
-Não me avisou que viria para cá hoje – ela se sentou cautelosamente ao meu lado.
-Eu sei... Desculpe Ray, eu apenas queria ficar sozinha... Mas como soube que eu estava aqui?
-Eu não sabia, vim aqui só para espairecer um pouco... As coisas com o Hermes não estão muito bem hoje em dia.
-Entendo...
-Desculpe... Não queria que se lembrasse dele.
-Não tem como não lembra Ray... A minha vida acabou entende? Tudo que eu acreditei ser real não é... É difícil para mim acreditar que tudo que vivemos foi em vão.
-Você errou em construir expectativas demais nele.
-As vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas, o tempo passa, e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos, e as pessoas pequenas demais para torná-los reais.
-Bob Marley.
-Exatamente... Mas agora não é mais importante – aquelas palavras saíram arranhando minha garganta.
-Eu sei que importa... Você o ama... Demais. Queria poder te ajudar.
-Não pode. Não mais. Acho que ele vai se casar, ou algo do tipo daqui a alguns meses. Foi o que me disseram.
-Mas ele...
-Ele não me ama Rayane – eu a interrompi e minha voz era fria e áspera, lágrimas de raiva surgiram em meu rosto.
-Sim...
-Não insista ok? Agora tenho que ir e desculpe se falei algo que você não gostou.
Peguei meu chinelo de dedo e fiquei com ele nas mãos, fui caminhando até o inicio da praia, sentindo a areia macia entre meus dedos, a maresia batia em meu rosto e seu cheiro era forte, ao chegar lá Bernardo me esperava impaciente.
-Estava preocupado, da próxima vez avise ok? – seu tom mantinha apreensão e carinho.
-Desculpe amor... Vamos embora agora está bem? Eu preciso descansar.

Eu estava absolutamente frustrada e no momento apenas o Bernardo me ajudava... O Pierre hoje já não tem tanta importância em minha vida, talvez tenha, mas agora... Não tem a mínima diferença. 

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