4 de nov de 2011

- Felicidade relativa.




Eu estava no Cristo Redentor, na minha Cidade Maravilhosa, resolvi ir até lá apenas para espairecer um pouco, já que eu não o fazia há algum tempo por causa dos meus problemas e pela faculdade, o lugar estava cheio, havia inúmeros turistas, fui até a parte onde dava para ver melhor a vista e ali fiquei durante horas... Meu estomago estava roncando, eu ainda não havia almoçado, mas não estava a fim de ir almoçar... Fiquei ali por mais algum tempo, perdida em meus pensamentos e eles sempre me levavam a ele, aquele que eu dei o meu coração e que me fez o favor de quebra-lo em minúsculos pedaços, meus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente... Uma mão firme se colocou sobre meu ombro esquerdo... Ao vê-lo ali, imóvel, me olhando com seus grandes doces olhos azuis, um calafrio pairou por meu corpo, fazendo-me sentir raiva outra vez, mas ao mesmo tempo lembrei do amor que sinto por ele.
-O... O que está fazendo aqui? – falei gaguejando.
-Bom, apenas vim esfriar a cabeça um pouco... – sua voz escondia algo.
-O que está acontecendo? – disse preocupada.
-Nada... – ele se debruçou como eu e não me olhou nos olhos, como ele fazia quando mentia.
-Vamos... Eu te conheço. – insisti.
-Você não é a melhor pessoa para me ajudar agora... – havia um rancor em seu tom.
-Não fique assim, vamos me conte...
-Não precisa se fazer de boazinha Sthella... Eu sei o quanto você gostaria de me ver como eu estou.
-Não seja idiota Victor... Eu não sou como você pensa... Eu não sou como você.
-Não exagere Sthella... 
-Você que começou... Eu não falei nada, não seja mesquinho.
Ele apenas cruzou os braços e permaneceu em silencio.
-Vamos almoçar? 
-Tudo bem, mas se for grosso comigo de novo vou te dar as costas.
-Ok senhora eu odeio homens idiotas.
-Ainda bem que sabe.
Descemos até uma lanchonete que há ali, sentamos em uma das cadeiras que ao meio há um guarda-sol verde. Comemos apenas uns sanduiches e tomamos um suco de laranja, tudo sem trocar uma palavra... Subimos novamente e lá nos debruçamos em outro local já que havia outra pessoa onde estávamos antes.
-Desculpe... – ele me virou rapidamente e me abraçou forte – Não queria ter feito contigo tudo que fiz... – senti lágrimas molhando minha blusa – Eu sei tudo que você passou e estou sentindo exatamente isso... Sei o quanto dói e não sei o que faço agora.
-Bom... Faça como eu... – enxuguei suas lágrimas – Supere, pare de chorar, erga a cabeça e siga sua vida... Mesmo que você ainda pense nela – saber que ele ama outra me doía e ajuda-lo me sentia sentir bem e mal ao mesmo tempo – Um dia vai acabar...
-Você parou de pensar em mim? – essa pergunta se cravou em meu peito como um punhal.
-Na... Maior parte do meu tempo me pego pensando em você – respirei fundo não sabendo se deveria mesmo contar-lhe tudo - De que como seria se estivéssemos juntos nesse exato momento. Qual seria a sua reação ao ouvir sussurrando em seu ouvido de que te amo, de que te quero ver bem.
-Me desculpe por tudo está bem? Eu fui um idiota e ainda acreditei nela... Desculpe Sthella...
-Tudo bem... Eu já superei.
-Não me ama mais é isso?
-Não, não é isso, mas eu não sou masoquista e muito menos idiota Victor, eu amo você e acho que nunca vou te esquecer, mas eu tenho que ser feliz e seguir a minha vida, assim como você seguiu a sua e deve fazer isso.
-Mas eu...
-Você vai conseguir, acredite, só não seja idiota de ir atrás dela e sofrer tudo em dobro...
-Eu sei... Não sou um adolescente infantil, eu sei o que devo fazer...
-E o que vai fazer? –  

Ele me puxou em um único ato e me  beijou intensamente, eu não sabia ao certo se ele estava me beijando ou se estava beijando a outra... Mas eu não conseguia sair daquele beijo, não do homem de que amo, era impossível resistir, seria o mesmo se pusesse um viciado em drogas em uma sala cheia delas, seria improvável que resistisse. Ao me soltar ele me olhou fixamente nos olhos e sorriu.



-Não posso fazer isso... – meus olhos se encheram de lágrimas – Eu não posso... Não posso ser quem você escolheu por que ela te deixou, eu te amo, mas não sou idiota... – lágrimas estavam em meu rosto.
-Eu também te amo Sthella.
-Não Victor, não como eu te amo. – exclamei.
-Vamos... Me dê outra chance... – ele pôs sua mão em meu rosto com carinho e limpou minhas lágrimas, se aproximou, ficamos frente a frente, tão perto que dava para eu sentir o seu coração, minha respiração era ofegante, a sensação que sentia era que eu ia sucumbir e cair em seus braços – Por favor... – sua voz era doce e gentil – Eu vou tentar mudar...
Eu sabia que se ficasse com ele seria errado, dei dois passos para trás, até me encostar na mureta ele me seguiu e me olhava com seus olhos com de céu.
-Eu preciso de você Sthella... Sei que fui um idiota...
-Sabe qual é o problema – minha voz saiu falha, eu puxava o ar com força, com dificuldade – Se ela amanha ou depois aparecer você vai quere-la, vai ser ela que vai estar sempre com seu coração, não adianta, você é dela e eu vou ter que aprender a não ser mais sua.

-Tudo bem, mas... Eu te amo tá?!
-Eu amo você. Mais do que você imagina.

Naquele dia eu percebi que o que haviam me dito a um tempo atrás era verdade:
“Se você quer muito alguma coisa, deixe-a livre. Se ela voltar será sua para sempre, se não, é porque nunca foi sua de verdade. A liberdade é o espaço que a felicidade precisa"

Por: Mariane Alfradique 
 




2 comentários:

Franciele Câmara disse...

Exatamente, perfeita tua descrição! Seguindo, retribui se puder!
Beijos
http://apaixonadasporcosmeticos.blogspot.com
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DarKblog disse...

Bastante bem escrito! Da até para fazer um livro *-*

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Obrigada pelo comentário :))