17 de set de 2011

- A pior perda.


A

o amanhecer acordei com um susto, o telefone já estava tocando, atendi com o coração acelerado por ter acordado violentamente de um sono profundo.
-Alô? - atendi com uma voz rouca e sonolenta.
-É a Luciana Bastos Martins?-disse uma voz masculina e com tom preocupante e serio.
-É sim, o que o senhor quer?
-Olha eu sou do corpo de bombeiros e queria te informar que sua mãe sofreu uma acidente.
Naquele instante os meus olhos se encheram de lagrimas e o desespero já começava a me tomar.
-O que aconteceu com minha mãe?Ela esta bem? Onde ela esta?-estava confusa e preocupada.
-Calma senhora, sua mãe esta bem, ela esta no hospital Maria da graça.
Na mesma hora agradeci e troquei de roupa, acordei Marta aos gritos e ligando para o táxi ao mesmo tempo, estava tão fora de mim que a cada minuto sem saber da minha mãe me enchia de mais angustia e ansiedade, para vê-la e saber se ela estava bem, me lembrei por um breve momento dos nossos piores dias ao menos eu ri e me senti realmente viva por saber que tudo aquilo foi proposto por ela, pessoa que eu mais prezo e quero ao meu lado, apesar de todas as brigas a amo incondicionalmente e não suportaria nem pensar em perdê-la.
Entrei no táxi e a Mah foi comigo, pedi para o taxista dirigir o mais rápido possível que lhe daria o dobro do cobrado, e ele o fez. Chegando ao hospital corri para a recepção.
- Ingrid Bastos esta em que quarto? - Disse com um tom inquietante.
- É parente? - balancei a cabeça confirmando- Ela esta na sala se preparando para uma cirurgia. - Ao ouvir cirurgia eu simplesmente desabei, Mah me abraçava desesperada.
-Calma amiga não foi nada grave você vai ver.
A enfermeira estava me levando ao quarto, Mah teve que ficar na sala de espera, coloquei uma roupa para proteger e antes de entrar no quarto limpei os olhos que estavam molhados de tanto chorar, como sempre precisava mostrar pra minha mãe que eu era realmente forte e agüentaria qualquer problema. E ela estava na cama deitada com ataduras em volta das costas e pescoço imobilizado, cheguei, mas perto aos poucos e vi que minha mãe ainda sorria apesar de tudo ela ainda mantinha o breve e lindo sorriso em seu rosto.
- Filha - Ela sussurrava.
- Mãe não fale nada, quanto, mas você se esforçar vai ser pior.
- Mas filha, - Ela continuava a tentar falar, mesmo impossibilitada ela ainda falava, e eu não agüentava ver minha mãe naquele estado, lagrimas já estavam em minha face, limpei o mais rápido possível mais ela já havia percebido - Não chore minha linda, por favor - Ela tossia - Mamãe vai ficar bem e nos duas ainda vamos poder nos afundar em brigadeiro no domingo.
A enfermeira entrava no quarto agora.
-Tem cinco minutos.
-Eu posso falar com o medico antes de tudo?
-Pode sim, mas não temos muito tempo - Eu apenas assenti.
Assim que a enfermeira saio do quarto fui falar com minha mãe, era horrível pensar que esse poderia ser meu ultimo momento com ela, uma coisa que jamais tinha imaginado em minha vida foi a perda dela.
-Mãe eu não tenho muita coisa pra te falar, mas você sabe que eu te amo demais e que vai dar tudo certo hoje, pois eu não vivo sem você e que cada vez que nos já rimos e choramos juntas nós vamos fazer muito mais depois que você sair daí - Disse a ela chorando, e como o mais breve apelo eu lhe dei um abraço, cercado de cuidado, soluços e suplica que ela volte para mim, mais um breve beijo em suas bochechas  e testa, sai da sala para falar com o medico responsável.
- É o senhor que vai operar a minha mãe? - Disse a ele secando novamente meu rosto.
-Sim sou eu, calma, eu e os outros médicos faremos de tudo por sua mãe.- Disse ele já saindo, indo em direção a sala de cirurgias.
Sai dali com esperanças e sonhos de ver minha mãe sorrindo novamente, fui à sala de espera e lá encontrei a Mah me esperando, sentei ao seu lado e esperei mais umas três horas.
Após esse tempo uma enfermeira foi me chamar avisando o termino da cirurgia, não tinha sido muito bem, minha mãe precisará de muito descanso. Ao entrar no quarto vi que ela agora dormia, sentei em uma cadeia que havia ao lado de sua cama, e lá eu a olhava, ela estava no soro, pus a minha mão sobre a dela que estava um pouco fria, eu agora estava perdida em meus pensamentos, pedindo a Deus pela minha mãe que ela ficasse bem, que ela pudesse ao menos voltar pra casa. Eu a estava fitando, até que percebi que ela abrira os olhos e sorria.
- Filha - Disse ela sussurrando e se esforçando, puxando o ar com tanta força que dava para ouvi-la - Não fique assim eu só quero que você saiba que mesmo que eu...- Ela tossia - Não volte pra casa eu sempre estarei contigo- Disse ela pondo a mão sobre o lado esquerdo de meu peito- Bem aqui.
Agora o aparelho que via seus batimentos diminuía, bem devagar, de acordo com sua respiração que nesse momento estava ofegante. Quando já estava pronta para chamar o medico minha mãe me reprimiu, me segurando pela mão que ainda estava próxima a ela.
-Filha me abraça bem forte - Ela sussurrava e eu fazia esforço ao tentar ouvi-la - Por favor – O apelo dela me emocionou e eu não me contive e fui até ela, tomando cuidados com seus curativos da cirurgia, eu me senti como se pudesse protegê-la de tudo e todos os perigos, acho que era assim que ela se sentia quando eu era pequena e chorava e ela me abraçava, é um sentimento tão bom, eu ficaria ali por horas ou até mesmo o resto dos meus dias de vida, foi então que percebi e senti uma gota de lagrima em meu ombro, minha mãe agora chorava.
-Filha eu te amo.
O aparelho cardíaco fazia apenas um som um leve zumbido, minha mãe estaria morta, em meus braços e eu não pude fazer nada. Levantei o mais rápido possível, gritando e chamando as enfermeiras, eu parecia uma louca, mas realmente estava, queria minha mãe de volta nesse momento, queria ela sorrindo e dizendo coisas lindas em noites de chuva e acariciando meu rosto, eu preciso dela além de limites, além de mim. O Dr. Armando entrou no quarto e mandou que eu me retirasse e eu neguei, segurando-me a cama de minha mãe, outros enfermeiros vieram e me retiraram a força, me levando até Mah, que ao ver-me foi até a mim, me segurando e mandando que eu ficasse com ela, segurando em meu rosto.
-Luciana, por favor, calma - Disse ela me abraçando e me acalmando, me levando ao banco da sala angustiante de espera.
Vi o medico saindo do quarto, ele me olhou, balançou a cabeça negando, com um rosto como se me pedisse inúmeras desculpas, nesse exato momento todos os dias com minha mãe se passaram em minha mente, fiquei perplexa, Mah me abraçava e nesse momento nenhuma lágrima saiu dos meus olhos, acho que já estava conformada com essa noticia que perderia a pessoa mais importante da minha vida de um dia ao outro, tão simples, rápido e inesperado, apenas me sentei e senti meu coração acelerar em tão poucos segundos, não havia outra saída a não ser, ligar ao meu pai e dar a ele a noticia que mudaria minha vida e a dele. Foi assim que perdi minha mãe.



Por: Mariane Alfradique

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